20 de setembro de 2016

Desculpem o transtorno: Mas preciso falar dele...

Achei que hoje era o dia certo e que eu devia dar um passo que eu queria dar faz tempo. Tenho plena certeza que as chances de que ele veja esse post aqui são muito pequenas e/ou quase inexistentes. Isso por um lado me conforta. Mas por outro lado eu tenho vontade de esfregar na cara dele, pra ver se ele enxerga e ri da minha cara até falar um "é bem palhaça, mesmo!", porque eu conheço ele bem o bastante pra saber que agiria assim.

Essa noite eu tava falando com um amigo e chegamos nesse assunto. Até que ponto devemos ficar na "ousadia e alegria", afim de esquecer o sentimento do "amor verdadeiro" e nos deixarmos consumir por um sentimento que só vem nos acrescentar e fazer bem, quando é verdadeiro e recíproco? Comentei com meu amigo que eu acreditava já ter perdido a minha chance de falar um eu te amo pra alguém que eu amo de verdade, admiro e pela qual o meu mundo simplesmente para quando estamos conversando ou só de eu ver a pessoa, porque eu já me declarei algumas vezes sem ter conhecimento desse sentimento e levei um fora, que até me traumatizei, Então prefiro ter isso só em mim, como um sentimento bom.

Desculpem o transtorno: Mas preciso falar dele... @cantinhodaruiva
Não sei dizer ao certo com que idade isso aconteceu, mas (por incrível que pareça), eu era e ainda sou um pouco tímida, A meu jeito louco e extravagante é uma armadura, pra fingir que tá sempre tudo bem, enquanto eu tô enlouquecendo por dentro, querendo sumir. Mas eu era pequena, devia ter uns 6 ou 7 anos, mais ou menos, quando eu lembro de ter jogado vídeo game com ele. Sim, sempre fomos muito próximos e ao mesmo tempo muito distantes. Nós dois sempre fomos (muito) tímidos perto um do outro. Embora nossas famílias sejam muito amigas. Lembro de algumas situações de quando eu era pequena, que eles vinham na minha casa e eu me escondia morrendo de vergonha dele, porque eu achava ele o cara mais lindo que eu já tinha visto em toda a minha vida (ainda acho isso, mas infelizmente não tenho mais idade pra me esconder quando vejo ele).

Nosso contato sempre foi muito vago. Até pouco tempo atrás eu só tinha essas poucas lembranças das vezes que via ele ainda na infância, quando nossos pais se reuniam. Quando fiz 15 anos, como em todos os meus aniversários, convidamos a família dele, e como de costume nas festas de 15 anos, a aniversariante dança valsa com os homens que fazem mais parte da vida dela. No meu caso, um desses foi o pai dele, que me viu crescer e assim como toda a família, eu adoro e tenho um carinho enorme. Mas o que mais me marcou nessa noite, foi que ele veio me falar que eu tava linda. Provavelmente ele nem lembra, mas eu lembro com detalhes até hoje desse momento. Lá no fundo, algo me diz que existe a possibilidade de ele estar me zoando, porque isso é bem típico dele, assim como de mim. Mas eu não tenho certeza. Só sei que eu devo ter ficado com cara de idiota, apaixonadinha, escutando do cara mais lindo que conhece e que tem um "amor platônico", que tava muito linda. ahhahahahaha

Alguns anos depois, as coisas mudaram. Nos encontros e jantares que nossos pais faziam, passaram a estar presente apenas eu, meus pais e os pais dele. Pensando bem hoje, eu entendo que ele sendo mais velho que eu e na época, mais sociável que eu, devia tá indo nas festas com os amigos e conhecendo garotas mais interessantes, também. O que nunca foi muito difícil. Um belo dia eu decidi me atrever a buscar pela família inteira no facebook e fiz minha mãe adicionar eles, também. Descobri que ele tava namorando há um bom tempo e pensei "Claro, ele é lindo. Já era de se esperar.". Foi então que eu tive o meu segundo namorado, depois de um tempo. E meus pais tiveram a brilhante ideia de irmos visitar eles, em um final de semana que meu namorado tava junto, no final do dia, depois de passarmos o dia inteiro fora de casa, ou seja: eu tava virada num demônio, Acabei apresentando o meu namorado da época pra eles e conhecendo a guria que eu via nas publicações dele pelo facebook. Não trocamos muitas palavras, pra variar. Mas não nego que mexeu pra caramba comigo e entrou na gavetinha daquelas memórias todas que eu tinha dele e com ele.

Meu namoro não durou muito. Nem o dele. Mas o universo não tava muito afim de dar um help e levou ele pra longe de mim. Outro país. Hoje em dia eu tenho a plena convicção, de que foi uma ajuda ENORME do universo, porque foi por essa "segurança da distância", talvez, que a gente se conheceu, de verdade. Ele foi, deu um tempo e ele terminou com a menina. Eu fiz a festa. Caminho livre pra mim. Meu Deus, é agora. Ou vai ou racha. Rá, jura!? Não.

Sim, nós conversamos como nunca antes. Parecia que a gente já se conhecia há anos (e realmente a gente já se conhecia, né?!), mas era uma coisa muito, mas muito diferente. Contamos segredos um pro outro, passamos madrugadas no Skype falando besteira e cantando. Sim, cantando. Até hoje, se eu escutar as músicas que a gente escutou junto, eu fico rindo sozinha e me dá uma paz inexplicável. Aliás, ele me dá uma paz inexplicável. Ele me deu apoio pra fazer meu intercâmbio, me deu apoio pra trocar de curso e de faculdade. Me deu apoio e me deu o empurrão que eu precisava pra falar sobre assuntos tensos e dificílimos com os meus pais. Ele me viu de verdade e me deixou que eu visse ele de verdade. Me contou de segredos que ele disse que ninguém sabe, fora a família dele. Me falou de problemas psicológicos que eu nunca imaginei que um cara como ele poderia ter. Ele tirou a armadura pra eu conhecer ele e me fez ter vontade e confiança nele pra tirar a minha pra ele poder me conhecer. Ele me fez dormir por Skype, sorrindo, enquanto ele cantava pra mim a minha música preferida. Virou a nossa música, entre tantas. Me pediu ajuda pra livrar ele de mulheres enquanto tava no Skype comigo e comemorou quando elas foram embora depois de 5 minutos, porque ele queria falar comigo. Fiz companhia pra ele enquanto eu tava em Paris, com meus pais, precisando ir dormir pra acordar cedo e conhecer a Torre Eiffel no outro dia, porque o trem que ele tava tinha quebrado e faltava um tempinho ainda pra ele chegar na estação que ele tinha que descer. Nesse mesmo momento ele me mandou foto de um cara que tava no trem, que parecia alguém de um time de futebol e disse que era um sósia do cara e eu com sono, falei que não era, mas no outro dia revi a foto curiosa e vi que era realmente igual ao cara e lembrei ele, só dando margem pra ele me chamar de lerda, HAHAHAHAHHAHA

Tempos depois (mais especificamente um mês), comecei a sentir falta dele, porque não conversávamos mais naquela intensidade e ele não me deu um feliz aniversário "direito", fiquei chateada e pensei que eu tava sonhando demais, e quando vi, ele tava namorando com uma guria que ele conheceu lá (e tá até hoje com ela). Me privei por um tempo de querer ver ele de novo, porque eu sabia que ia encontrar ele, mas não só ele. Ele acompanhado da namorada. E dito e feito. No aniversário do primeiro sobrinho dele, fui com os meus pais, Fingi que tava tudo bem, mas ele foi a primeira pessoa que vi de longe quando entrei no salão de festas, lindo como sempre, me senti apavorar, me senti como aquela criança que saía correndo pra se esconder. Me senti indefesa. Ele foi até carinhoso comigo, mas acho que a namorada dele não foi muito com a minha cara.

Ele tinha se formado no sábado. E eu não tava lá. Não tive coragem de dar o beijo de "parabéns pela formatura", mas deixei um comentário zoando ele pelo photoshop de finalmente estar se formando. Vi que ele deu um jeito de ir dar atenção, mesmo que torta, na mesa pra mim e pros meus pais. Como sempre ele mal olhava na minha cara, talvez por timidez. Eu só por desaforo, resolvi encarar ele sorrindo, porque se fosse ao contrário, ele faria o mesmo. É incrível como ele é ainda mais lindo de perto. E pra quem ama barbas, assumidamente, achar lindo o cara que mal tem um pelo na cara (e eu nem sei porque!), vocês tem de concordar que é amor, mesmo! E claro, que eu não esqueci que quando fui embora, felizmente, ele tava sozinho e pela graça de Deus, me deu um beijo no rosto tão bom, que me deu vontade de abraçar ele. Sim.

Por incrível que pareça a vida sempre nos levou pra longe um do outro. E eu nunca tive coragem de falar nem algo parecido com tudo isso pra ele. Eu tenho pra mim, que seja recíproco, assim como somos tímidos um perto do outro. Mas ao mesmo tempo tenho a insegurança de não saber se é mesmo, a ponto de me fazer falar pra ele. Eu sei que é amor. E por ser amor, eu prefiro deixar ele livre pra amar quem ele quiser. Mesmo que esse alguém não seja eu.



-Essa é uma história real. e é minha. por isso eu decidi não citar nomes e dar tanta riqueza de detalhes. Se ele ler, vai saber que é dele que eu tô falando. E aí talvez a gente possa tentar dar início na nossa história.

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