12 de dezembro de 2017

Girl Power

Primeiro dia da "nova faxineira" aqui em casa. Conversamos sobre minha vida em Lisboa (saudades, inclusive...), conversamos sobre as principais diferenças da vida aqui e lá. Ela pergunta a minha idade. 23, eu digo. Pergunta se eu tenho namorado. Pergunto "pra quê ter namorado?". "Tá certa tu, com esse pensamento", diz ela. "Homem só serve pra atrapalhar a vida da gente. Tu tá certíssima de pensar assim! Minha vida tem 16 anos e só pensa na carreira dela e no que vai estudar." Contei pra ela que eu com 16 anos ainda tinha a ideia de um príncipe encantado, ter uma família, filhos, cuidar da casa, agradar meu marido. Mas que agora isso ficou pra trás. Se for pra ter um marido, vai ser um companheiro e parceiro, mesmo. Alguém pra me apoiar, sonhar comigo e fazer as coisas acontecerem na minha vida, como se fosse pra ele. E ela diz "certíssima, tu tá! Muito bom esse teu pensamento! Seria ótimo se mais meninas tivessem a cabeça como a tua, de ser independente, fazer a própria vida, a própria carreira, o próprio sucesso. É assim mesmo que tem que ser!".
Girl Power. @pritrelles
Fiquei feliz e "aliviada", de certa forma, de saber que com 16 anos, a filha dela já tem uma mentalidade que eu demorei um pouco pra conseguir. Talvez tenha sido por causa dessa nova geração, tão ligada ao feminismo, ou por ter visto a mãe trabalhar honestamente como faxineira pra conseguir dinheiro pra sustentar ela, não dependendo de homem, ou talvez vendo a mãe dependendo de homem e por isso, resolveu focar na carreira, mas também percebeu que a mãe não deixou de cuidar dela pra ter uma carreira. Enfim, não quis entrar nesses detalhes com ela, porque achei que não devia.

Mas também não sei se isso deveria ser bom. Vou parecer repetitiva, mas com 16 anos, uma pessoa definir o curso que quer seguir pro resto da vida, definir uma vida inteira, planejar uma vida toda... Quer dizer, hoje eu já não acordei querendo algo que eu queria ontem. E amanhã com certeza eu não vou acordar querendo o que eu quero hoje, também! Não é muito cedo pra fazer algumas escolhas que vão nos acompanhar pra vida toda?

Pensem nisso.

28 de novembro de 2017

Salve as coisas boas, mesmo quando só existirem ruínas

Hoje acordei com uma lembrança boa do FB. Não foi a primeira vez que vi lá as lembranças de momentos passados com essa pessoa, mas hoje em especial (como em alguns outros dias), me remeteu a um passado não tão distante assim (5 anos), onde o cenário era eu ter 17 pra 18 anos, estar no final do ensino médio e conhecer um cara por quem eu me apaixonei logo de cara. Além da beleza física que muito me atraía (e provavelmente a muitas outras meninas também), ele apesar de ter 25 anos, tinha uma alma diferente das demais pessoas.
Salve coisas boas, mesmo quando só existirem ruínas. @pritrelles
Começamos a conversar como quem não quer nada, por termos gostos em comum e muitas afinidades. Era uma troca saudável de experiências, de vida, de sentimentos, de sonhos e conquistas, de projetos e almejos para o futuro. Era bom. Tão bom que era diário. Um dia ser receber uma SMS dele quando eu acordava, dizia que tinha algo errado por lá. Assim como ele também sabia quando algo não ia bem por aqui e então fazia de tudo o que podia pra tentar mudar o meu ânimo pra encarar o dia.
Uma vez ele foi viajar pra ver a mãe dele no Paraná, e enquanto tava no hotel, escrevendo uma matéria, me disse que tava ouvindo uma música que muito falava de nós dois. E que ele adorava. Eis que ele me manda pra eu ouvir: 


Ela se chama Meu amor, minha flor, minha menina, do Zeca Baleiro. E essa música me traz uma paz, um sentimento tão bom e único, me traz uma saudade enorme dele e lembranças dos nossos bons momentos "juntos". Me foi apresentada lá por 2010 ou 2011. Um jornalista, do Paraná pro ABC paulista, apaixonado pelo trabalho e pela vida. Um ariano que de satanéries não tinha quase nada. Muito me mimava e me fazia bem, mesmo de tão longe. Até que não fez mais. Essa música assim como várias outras coisas, ficaram na minha memória no arquivo de coisas boas. Boas lembranças, boas conversas, bons conselhos, bons sentimentos.

Nós nos considerávamos estando juntos. Eu tinha contato com a família dele direto e nos vimos algumas vezes quando ele vinha visitar uns amigos aqui em Porto Alegre. Mas só isso pra ele não bastava. Um dia ele resolveu me contar que numa viagem ao Rio de Janeiro, onde foi passar a virada de ano, conheceu uma pessoa que morava em São Paulo e conversaram sobre alguma bobagem. Nunca mais se viram na vida. Um tempo depois (nós já nos conhecíamos e conversávamos frequentemente) se reencontraram em São Paulo, no bairro onde ele morava, e então resolveram sair pra jantar e conversar. Acabaram se envolvendo e ele resolveu me contar. Me pediu perdão e disse que isso nunca mais aconteceria. Ok, passou. Foi a única vez que eu tomei conhecimento e eu não tinha mais motivo algum pra duvidar dele. Até que um dia ele ficou doente, precisou fazer uma cirurgia e de cuidados especiais enquanto repousava. Resolveu fazer a cirurgia em Curitiba, pra ficar na casa da mãe dele, mas depois que o período mais complicado passou, voltou pra SP, e (não sei como), aquela mesma pessoa reapareceu e foi cuidar dele. Eis então que ele me fala que novamente eles se envolveram e enfim... Dessa vez, eu decidi que não me servia mais pra mim e cortei qualquer forma de comunicação com ele. Algum tempo depois, ele me ligou e eu não pude atender, só vi que tinha uma chamada não atendida no telefone e retornei a ligação. Ela atendeu. E foi extremamente estúpida, como se eu fosse a pessoa que tinha procurado ele, e fez questão de me informar sobre o anel de noivado que ele teria dado pra ela. Desde então, liguei outro dia em um horário que eu sabia que ele não estaria com ela e então dei os parabéns pelo noivado, desejei felicidades (acreditem ou não, eu tava SUPER PLENA nessa altura do campeonato. Raríssimo de acontecer, mas eu tava!), e ele logo percebeu que tinha algo errado (lógico, ele me conhecia bem). Me perguntou o que tinha acontecido de errado e eu falei que era eu ter confiado nele. Então ele me explicou a história toda e eu só consegui pedir pra que ele não me procurasse mais.

Por alguns anos isso me doeu muito e eu acho que abalou muito a minha confiança em outras pessoas pra eu me relacionar. Naquela época eu ainda tinha o sonho de casar, e pela nossa plena sintonia, eu super acreditava que aquele anel deveria ser meu. Mas mesmo com tudo isso, nada, absolutamente NADA, mudou o fato de eu ter guardado as boas lembranças, APESAR de eu ter sido traída. Além de eu não querer mais casar (não ser a minha prioridade na vida, no caso), eu também não acredito mais em relacionamento a distancia, porque eu tinha plena consciência de que sabia de tudo o que ele fazia, porque ele falava comigo 24h por dia. E mesmo assim, aconteceu.

Mas a grande questão é: eu acordei hoje com uma lembrança de momentos que tivemos juntos e uma SMS que ele me mandou naquela época. e ao contrário de ficar triste com o sentimento da traição, eu ri e senti saudades de coisas boas que passamos. Tanto que acordei, fui ouvir a música que ele ligou à nos e até resolvi escrever pra vocês sobre isso. E o que eu quero deixar pra vocês disso tudo, é: não importa o que o outro tenha feito. O que tu guarda em TI, só tu tem o controle. Das tuas emoções e lembranças, o controle é todo teu. Tu escolhe guardar a amargura e o rancor ao contrário do amor e dos sentimentos bons. Só vai fazer mal pra ti, ficar remoendo um sentimento. E será que vale tanto a pena assim? Porque, eu sei que eu me protejo de pessoas que possam não ser confiáveis e corto da minha vida quando percebo isso. Mas ela, casou (ou só noivou) com um cara que traiu com ela.. E quem faz uma vez, faz duas (fez duas comigo, inclusive). Então pensem quem foi que saiu ganhando...

27 de novembro de 2017

Faça as suas próprias regras

Esses dias eu vi um filme de comédia romântica, desses que te faz ficar suspirando e pensando quando é que tu vai encontrar o cara dos teus sonhos (que sabemos que não existe, mas mesmo assim, a gente continua procurando por ele, e descartando os caras reais com algumas imperfeições - justamente porque eles são reais, né?! Faz sentido isso, concordam? AHAHAHAHHA-, mas que gostam da gente -OLHA SÓ QUE MÁGICO!- porque a gente quer o cara que a gente sempre sonhou, mesmo que ele não exista. Não sei como lidar com esse looping maravilhoso que eu fiz e até já me perdi. Voltemos ao texto...), e notei uma coisa que muito me deixou intrigada: O filme ACABA com o casamento ou com o pedido de namoro ou casamento. Sim, porque filme de comédia romântica REAL é aquele onde existe todo o joguinho e flerte, onde possivelmente eles começam se odiando mais que tudo e qualquer respiração do outro causa agonia na pessoa, e do nada a vida dá um click na cara de um doa dois, ou dos dois e começa uma paixão com o joguinho todo e mimimi (que eu sinceramente não tenho paciência para tal, como vocês já leram aqui), que a gente já conhece sobre os filmes de comédia romântica, e que talvez seja o motivo pra que O MUNDO INTEIRO goste de praticar essa merda (com exceção de pessoas inteligentes como eu, claro, que vão direto ao ponto! ahahahahah just kidding) quando encontra alguém que gosta de verdade e acha que pode dar em algo mais.
Faça suas próprias regras. @pritrelles
Mas aí depois do pedido de namoro e do "você é o amor da minha vida" e tudo mais, o filme acaba. PORQUEEEE? Tipo, não interessa pra quem tá vendo o filme, saber o que vai rolar com o casal depois que começam a namorar ou que eles casam?

Eu já ouvi teorias de que esses tipos de filmes acabam no ponto em que acabam, porque o que acontece depois é conhecido popularmente como porn, ou pornô (creio que vocês estejam familiarizados com ele), ou também, pra quem tem uma mente mais capitalista e aqui nessa, eu até concordaria real mesmo, que seria pra poderem lançar a parte 2 e ter audiência, né. O que eu acho mais provável. MAS a minha teoria, é que o filme acaba justamente no começo do relacionamento, seja ele o namoro ou casamento, porque cabe aos dois criarem as suas próprias regras. Eu já falei sobre isso por aqui, também. E eu realmente acredito muito nisso. Que cabe aos envolvidos criarem as suas próprias regras pra fazer a coisa dar certo. O mundo vive em constante transformação, as próprias regras sociais e econômicas vivem se transformando e se adequando aos novos tempos que vem surgindo. Então, porque é que o casamento não pode se adequar ao modo de vida atual, também? E mais especificamente falando, o amor em si, o sentimento propriamente dito, vive em transformação e hoje a gente já tem o entendimento de que ele é muito abrangente e existem várias formas de se amar as pessoas. Então, porque não criamos as nossas próprias regras ao nosso sentimento, já que ninguém pode sentir o mesmo que nós mesmos, pra poder dizer o que é o certo ou errado? As coisas não precisam ser difíceis, a gente pode sempre facilitar! Fica aqui a minha dica pra vocês!

Anyway, isso é só uma reflexão que eu tive assistindo a dois tipos de filmes diferentes, mas ambos de comédia romântica, e que eu achei válido compartilhar com vocês e deixar a reflexão pra vocês também. E se vocês gostaram, deixa o joinha aqui embaixo e compartilha com os amigos essa ideia!
 
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